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Como Trabalhar de Motorista Entregador: CNH, EAR e Vagas com Carteira Assinada

Motorista entregador é uma das funções que mais cresceram no Brasil na última década. Mas existe uma exigência legal que reprova candidatos todos os dias.

Ter carteira de motorista não basta para dirigir por remuneração. Neste guia você vai entender o que a lei realmente pede, qual a diferença entre trabalhar registrado e por aplicativo, e como encontrar as vagas com carteira assinada.

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O que faz um motorista entregador

O motorista entregador transporta mercadorias de um ponto de origem até o destino final, que pode ser a casa do consumidor, uma loja, um restaurante ou outro depósito. A rotina começa antes de o veículo sair: conferência da carga contra a relação de entregas, checagem das notas fiscais, organização dos volumes na ordem do roteiro e verificação das condições do veículo.

Durante o trajeto, o profissional cumpre o roteiro, entrega os itens, colhe assinatura ou confirmação de recebimento, registra ocorrências como ausência do destinatário ou endereço incorreto e mantém comunicação com a central. Ao final do dia, presta contas das entregas realizadas, devolve o que não foi entregue e entrega os comprovantes.

Em muitas empresas, a função inclui carga e descarga do próprio veículo, o que exige preparo físico. Já em operações maiores, existe equipe de apoio para essa parte e o motorista se concentra na condução e no atendimento ao cliente na porta.

A exigência legal que muita gente ignora

Para exercer atividade remunerada ao volante, não basta ter a habilitação. É necessário que a Carteira Nacional de Habilitação contenha a observação de exercício de atividade remunerada, conhecida pela sigla EAR. Sem essa anotação, dirigir a trabalho é infração de trânsito, e a empresa não pode contratar o candidato para a função.

A inclusão da observação é feita no órgão de trânsito do seu estado e envolve exames específicos, incluindo avaliação psicológica. É um procedimento simples, mas que leva alguns dias e precisa estar concluído antes de você começar a se candidatar, e não depois de ser aprovado no processo.

Qual categoria de habilitação você precisa

A categoria depende do veículo que você vai conduzir. Para carros de passeio e utilitários leves, a categoria B resolve. Para veículos de carga acima do limite da categoria B, é necessária a categoria C. Quem pretende dirigir caminhão maior ou conjunto com reboque precisa das categorias D ou E, conforme o caso.

A maioria das vagas de motorista entregador em comércio eletrônico, farmácias, distribuidoras e transportadoras urbanas trabalha com veículos leves e utilitários, exigindo categoria B ou C com a observação de atividade remunerada. Leia sempre o anúncio com atenção, porque a categoria pedida define se você pode ou não se candidatar.

Entrega de moto tem regra própria

Quem pretende trabalhar com entregas de motocicleta precisa cumprir requisitos adicionais previstos em lei específica para o transporte remunerado de mercadorias em moto. Além da habilitação na categoria A com a observação de atividade remunerada, é exigido curso especializado para motofretista, idade mínima de vinte e um anos e tempo mínimo de habilitação na categoria.

A moto usada no serviço também precisa atender exigências de equipamento de segurança, como dispositivo de proteção contra queimaduras no escapamento e antena corta-pipa. Empresas que contratam com registro em carteira verificam tudo isso, e é comum a documentação irregular eliminar o candidato na etapa de conferência de documentos.

Carteira assinada ou aplicativo: entenda a diferença

Esta é a decisão mais importante da carreira, e ela costuma ser tomada sem informação suficiente. Trabalhar como entregador por aplicativo significa atuar por conta própria: você define os horários, usa o seu veículo e arca com combustível, manutenção, seguro e eventuais multas. A remuneração varia conforme demanda, distância e período do dia, sem garantia de valor mínimo.

Já a vaga com carteira assinada oferece salário fixo, jornada definida, férias, décimo terceiro, recolhimento de fundo de garantia e contribuição previdenciária, além de o veículo e o combustível serem geralmente da empresa. Em compensação, existe horário a cumprir, roteiro determinado e metas de entrega.

Não existe resposta única sobre qual é melhor. O que existe é uma conta que muita gente esquece de fazer no modelo por aplicativo: descontar do valor recebido o combustível, a manutenção preventiva, a depreciação do veículo e a contribuição ao INSS como contribuinte individual, que é o que garante aposentadoria e auxílio-doença. Feita essa conta, a comparação com o salário registrado fica bem mais honesta.

Jornada e descanso: direitos que o motorista precisa conhecer

A profissão de motorista tem regras próprias de jornada previstas na legislação trabalhista, criadas justamente porque cansaço ao volante é risco de vida. Existe limite para o tempo contínuo de direção, com obrigatoriedade de intervalo para descanso, além do intervalo para refeição e do descanso entre uma jornada e a seguinte.

O tempo de espera para carga e descarga e o período em que o motorista fica à disposição também têm tratamento específico na lei, e não devem simplesmente desaparecer do controle de jornada. Da mesma forma, horas trabalhadas além da jornada contratada geram direito a pagamento ou compensação conforme o acordo da categoria.

Conhecer esses pontos não é implicância com o futuro empregador, e sim proteção. Empresa séria controla jornada corretamente e não pressiona por rota impossível de cumprir dentro do horário. Se durante a entrevista ficar claro que a operação só fecha estourando o limite de direção todos os dias, isso é um sinal de alerta sobre a qualidade daquela vaga.

Quem está contratando motorista entregador

As oportunidades com registro em carteira estão concentradas em transportadoras e operadores logísticos, distribuidoras de bebidas e alimentos, redes de farmácia com entrega própria, atacadistas, empresas de comércio eletrônico e distribuidoras de materiais de construção.

Há ainda um mercado relevante e menos disputado nas empresas de médio porte da sua própria cidade, que mantêm frota pequena e contratam diretamente, sem publicar em grandes portais. Distribuidoras regionais, depósitos e comércios com entrega própria costumam preencher essas vagas por indicação ou por currículo entregue no local.

Quanto ganha e o que compõe a remuneração

O salário varia conforme a categoria da habilitação exigida, o tipo de carga e a região. Vagas que pedem categoria C ou superior pagam mais do que as de veículo leve, e operações com carga de maior valor ou risco também remuneram acima da média.

Além do salário base, é comum haver ajuda de custo, vale-refeição ou alimentação, vale-transporte e, em algumas empresas, prêmio por produtividade ou por ausência de sinistros. Vale conferir o piso da categoria na convenção coletiva do sindicato dos motoristas da sua região, porque ele é o valor mínimo legal e muda de estado para estado.

Passo a passo para conseguir a vaga

Antes de se candidatar, organize a documentação. Tenha em mãos a habilitação válida na categoria correta e com a observação de atividade remunerada, o extrato de pontuação sem risco de suspensão e, se for atuar com moto, o certificado do curso especializado. Empresas verificam a pontuação da habilitação, e prontuário comprometido reprova.

Com isso pronto, cadastre-se na Gupy, usada pelas grandes transportadoras e varejistas. Informe de forma explícita a categoria da sua habilitação, a presença da observação de atividade remunerada e o tempo de experiência com direção, porque a triagem automática procura exatamente essas informações.

Em seguida, crie conta no InfoJobs e no Vagas.com, e amplie o alcance com a Catho e o Indeed. Use também o portal de serviços do Ministério do Trabalho e Emprego, que reúne as vagas do Sistema Nacional de Emprego, e o aplicativo Carteira de Trabalho Digital, que assumiu a busca de oportunidades antes disponível no SINE Fácil.

Por último, não subestime o caminho presencial. Leve currículo impresso às transportadoras e distribuidoras da sua região e pergunte pelo responsável pela frota. Nesse setor, boa parte das contratações ainda acontece assim, e quem aparece pessoalmente costuma ser lembrado quando surge a vaga.

O que a empresa avalia além da direção

Dirigir bem é o mínimo esperado. O que diferencia o candidato é o comportamento na porta do cliente, porque o entregador costuma ser a única pessoa da empresa que o consumidor vê pessoalmente. Educação, apresentação pessoal e capacidade de resolver um imprevisto sem criar conflito pesam muito na avaliação.

Também conta a organização com documentos e comprovantes, o cuidado com o veículo e a direção defensiva, que reduz sinistro e custo para a empresa. Candidatos que demonstram noção de responsabilidade sobre a carga e sobre o patrimônio da empresa costumam ser preferidos mesmo com menos tempo de estrada.

Regularize os documentos e saia na frente

O mercado de entregas continua aquecido e deve seguir assim enquanto o comércio eletrônico crescer. A diferença entre quem consegue uma vaga com carteira assinada e quem fica preso apenas ao trabalho por aplicativo costuma estar na documentação em ordem.

Comece verificando se a sua habilitação tem a observação de atividade remunerada e se a pontuação está tranquila. Regularizado esse ponto, cadastre-se hoje nos portais indicados, visite as transportadoras da sua cidade e deixe claro em cada candidatura a sua categoria e a sua disponibilidade. As vagas de emprego existem, e elas vão para quem está com tudo pronto quando o processo abre.

Henrique

Henrique é um talentoso escritor de publicações para sites informativos, conhecido por sua habilidade para criar conteúdo claro e envolvente. Com um olhar atento aos detalhes e uma paixão por informar, aborda uma variedade de temas, sempre com precisão e relevância. Seu estilo de escritura acessível e informativo faz com que seus artigos sejam apreciados por leitores de todas as épocas e interesses.

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